sábado, 5 de janeiro de 2013

PREFÁCIO

Pesa-me o solo sobre meu prefácio,
As pombas que pairam sedentas no sobressalto
A náusea que revigora o nosso vômito.
Agouros abismos que os meus olhos inflamam,
Translúcidas estrelas que galgam o pensamento,
Exaure um homem sobre o último dos últimos.
Ímpetos de rara metamorfose no mundo,
Pomos que a gênese de nossa formação reteram,
Transfigurando ocultos vales de meu sonho.
Iradas trombetas roindo ao mundo,
Quebrando os ares, torcendo as nuvens.
Lúcidas alucinações aladas, couraçadas de infantes,
Ao que era glória, tomba a quietude que revigora...!
Dúbios relâmpagos disparam e os céus pré-claros distorcem.
Pastava-me o desprezo que não pode ter tão triunfantemente.
Cavalos alados flavescem a terra, ilidem, refutam os mortais.
Ícones do gólgota nos vêm,
Pesa-me o céu que o magma nos traz.
Arcanjos armados flecheiam as bestas, reviram o mundo.
Lícitos labirintos expugnam, ao fosco, o Ícaro do mundo.
Invito, ao obscuro, veio-me uma força e nos olhos fosfeno
Na flamejante adrenalina do rubro estrondo agudo.
De alfa e ômega vivem os homens,
Feno cetrino em corpos partidos
E ao selo do mundo partiram balanças, serafins, rubros gritos.
Nicolaítas carpindo o manto dos risos,
Alabastros simbólicos de polpa ao tafo.
Viver no tempo a miséria humana,
Monodias recônditas do cósmico espaço.
Moldar feições irônicas no caos deste tédio,
Vibrar no mundo, nutrir-me de fervorosos destroços...!

QUAL O PREÇO DE UMA POESIA?

Contudo que ostenta a minha amarga face,
Em meu mundo a internalização de meu ser.
No meu sentir um tão pulsar impulsivo
E o mar de ressentimentos
Que o encantar de tolos sustenta.
A poesia é sangue e por isso meu corpo a tem,
A poesia é alma e tão por isso hei de retê-la.
Mas há no preço da poesia a nossa alcova
E a grandeza fútil que aos anormais na vida vaga,
Mas que os leigos do capitalismo não sorverão.

ALEA JACTA EST

E jaz a humanidade sobre a terra
E se há terra tão límpida e tão bela,
Há, também, neste mísero escárnio social
Uma realidade temporalmente epifânica.
E jaz na carnificina de um homem o seu desterro
E a sua transitorialidade material,
Mas há em sua semente a sua disseminação
E em seu corpo a anormal expansão extraterritorial.
E jaz a humanidade sobre a terra
E na sua extraordinária epigênese corpuscular
A indefinida evasão de seu universo zodiacal.
No seu negrume prefácio a anã branca se desfaz
E em seu nome a construção
Por fogo e ferro se fortalece,
Mas em seu pulso capilar a gota corre
Na difusão da transumância venal de sua poesia
E no passar transtemporal o crepúsculo do dia morre.
E jaz um fruto sobre o solo
E se há solo tão grotesco, há, também,
Na hipertrofia existencial humanística um ser fugaz
E na sua demência a putréfula banda
Corrompida pela inacabada morte.
E neste ano mais que bissexto,
Nesta outrora do mês de Agosto,
Onde mostra a todos e abrange gosto,
Um qualquer preço desses víveres.
E jaz a humanidade sobre a terra
E se há no cosmo obsessão centesimal de infinito,
Há, também, a predestinação dos loucos
E na prematura criação universal desta poética
A inconstância de um ser,um suigêneris.
Na incerteza galaximal uma destreza, força obscura,
Onda negra, a atração de corpos,
Nesse celeste estrelar, do vasto mundo paranormal.
Na inconsistência fibrinogênica do desconhecido átomo
A formação molecular tão proximal.
Na atomística de um corpo, o imoral,
A incidente formação da amplidão de sua visão naturalística.
Mas jamais no homem a interrogação.
Na determinista promiscuidade de sua vida
E no verde clarão de seu projeto
Exaure um todo á predestinação tão futurística,
Mas na sua veia pulsa corrente, a chaga rara de se ver,
Uma amarga face cálida e a volúpia de um ser

AMAR O MUNDO LITERÁRIO

Cabia-me dizer que não jugo o tempo,
Os prefácios da qual me subjugaram,
As loucuras, os impactos psicosociais.
Cabia-me gritar, romper o tédio,
Rasgar o peito, moldar-me em feições errôneas.
Cabia-me brindar os calabouços íntimos,
As reminiscências futilizadas no passado,
Tirar-me o sangue, lançá-lo, estagná-lo contra as paredes.
Cabia-me mover montanhas,
A tudo mover desejos,
Amar o mundo literário...

APRESENTAÇÃO

APRESENTO A TI LEITOR, SE É QUE ASSIM POSSO CHAMÁ-LO, UMA PROMISCUIDADE INTERIORIZADA. É UMA OBRA FÚNEBRE, É UMA OBRA DOS LOUCOS. NÃO LEIA SE TIVER MEDO OU SE LOGO COMEÇAR A ENLOUQUECER.
LEMBRA QUE LÊSTE TODAS AS PSICOSES LITERÁRIAS E EMBALASTES TODO O TEU PROFUNDO RESSENTIMENTO MENTAL. AGORA, DEIXO A MUITOS, OS DESINTERESSADOS, OS MEMORIAIS DE UMA SUPÉRFULA ESCRITA, UM LEGADO QUASE INTRANSPONÍVEL, RELEGADO POR TODA BANDA PODRE DA QUAL TU FAZES PARTE. É UM VERME REDIGIDO.
NÃO A FIZ PARA TI, MAS PARA SUPRIR MEU ID, TALVEZ AUTO-INFLUENCIADO. SUBVERSÕES DE UM EU DESMEMBRADO, POUCO A POUCO IRRECONHECÍVEL SOCIALMENTE.
DE OBSESÕES INTRODUTÓRIAS VAGAS, SEM FUNDAMENTAÇÕES, A UMAS HERMÉTICAS PALAVRAS. TALVÉZ TU NÃO ENTENDAS, TERÁS QUE MERGULHAR NOS PROFUNDOS ABISSAIS DE MINHA VIDA E, AINDA ASSIM, LEIGAMENTE, DIRÁS QUE NÃO TEM CABIMENTO.
PROCURA UM DICIONÁRIO, TRADUZA E VERÁ QUE SÃO INCABÍVEIS SÍMBOLOS, ANORMAIS, COM UM GOSTO ÁCIDO. TALVEZ DE MEU DESEJO RIR DE TI, IRONIZÁ-LO OU SENTIR AS TUAS ANGÚSTIAS AO LER ESTA FATÍDICA OBRA;ATORDOOU-TE? ENTÃO CUIDA PARA NÃO TE EQUIVOCAR NA INTERPRETAÇÃO OU PARA NÃO SE SENTIR MAL AO LÊ-LA. FELIZMENTE, PARA TI SER UMA OBRA CURTA E DE POUCO IMPACTO AO TEU ENTENDIMENTO.
NÃO FOI DE MEU INTERESSE TE PROPROE ESTA LEITURA, ELA É FRUTO PROIBIDO, PODE SER ALGO PERVERSO, SEM INTERESSE PARA TI; MAS LOGO ADIANTO QUE SÃO POEMAS RETORCIDOS, COM QUEM SABE SIGNIFICADOS OU IRRECONHECÍVEIS PELA SUA FORÇA DE EXPRESSÃO.
JAZ FOSSE DE UM FAMOSO POETA BOBO, MÍDIA OU ROMANCE ERÓTICO, ASSIM, TERIA UMA FORTE CAUSA, UMA CAUSA CAPITALISTA, ANTES FOSSE A TI ENDIVIDAR.
ANTES FOSSE REPASSAR DE ALGO A ALGUEM UMA SIMPLES SOLIDARIEDADE, UMA MENSAGEM SOCIAL.

DEDICATÓRIA DO LIVRO "O VERME X O FETOS"

ESTAS PALAVRAS SÃO DEDICADAS A UM PARASITA DA ESCURIDÃO QUE POR TER UM ETERNO SILÊNCIO, JAMAIS SE REVOLTARÁ CONTRA OS CONSPIRADORES DE UM MUNDO ANORMAL. IRONICAMENTE ASSIM COMO UM MUNDO CONTRAVERSIVO, CHEIO DE FANTASIAS IDEOLÓGICAS E MASCARADO POR UMA CORTINA DE APARÊNCIAS, DEDICO A ALGUEM MUITO IMPORTANTE; É UM VERME DE MEU LOUVOR, QUE NOS OLHOS DOS TOLOS RUIRÁ COM TANTA GARRA E DETERMINAÇÃO. QUE SEJA A NOS REDIMIR POR IGUALDADE E A NOS CONSUMIR DE ORGULHO AO NOJO SOCIAL. UM VERME NÃO É VAIDOSO, ELE APENAS NOS ESPREITA A HORA CHEGADA.

O VERME X O FETO

O LIVRO "O VERME X O FETO" NASCEU DA NECESSIDADE DO AUTOR ABORDAR AS SUA ANGÚSTIAS SOCIAIS, A SOCIEDADE PASSA A TER UM ASPECTO DE AMBIGUIDADE NA MEDIDA QUE VIVE DA HIPOCRISIA ENTRE A RELAÇÃO DO TER E DO SER, A SOCIEDADE EM SUMA VIVE DE APARÊNCIAS. NA DIMENSÃO HUMANA O HOMEM PASSA A SER VISTO E COMPARADO COM UM VERME. DAI NASCEU A IDÉIA DO VERME, O HOMEM VERME (AQUELE QUE SE COMPORTA COMO TAL, PORÉM PERANTE AS LEIS DA MATERIA NÃO O É TÃO MAIS QUE UM AGREGADO PROTÉICO) E O VERME (AQUELE QUE IRÁ REDIMIR-LO À IGUALDADE INDEPENDENTEMENTE DA CLASSE SOCIAL, DA RAÇA OU DA COR). A CRIAÇÃO DO FETO SURGIU DA RELAÇÃO COM O VERME (O VERME HOMEM), PORTANTO, SERIA O FETO NA ACEPÇÃO DA PALAVRA O FRUTO DESTA SOCIEDADE MASCARADA NA APARÊNCIA. SERIA, ENTÃO, O AUTOR O FETO ORIUNDO DO SEIO INFECUNDANTE DESTA SOCIEDADE QUE MARGINALIZA SEU PRÓPRIO SEMELHANTE.